Confira a Entrevista de Una Palliser!

Una Palliser, violonista e backing vocal da The Sun Comes Out Tour concedeu uma entrevista ao Shakira Media na qual fala um pouco sobre sua vida e também sobre o cotidiano da turnê. O Shakira Brasil traz para você uma tradução exclusiva da materia. Confira:

O que te inspira quando toca um instrumento? Com que idade você começou a tocar violino?

R: Comecei a tocar quando tinha 4 anos de idade, por isso não consigo me lembrar de alguma época em que não tocava violino. Desde pequena eu cantava o tempo todo e aparentemente tentava invadir as aulas de música dos meus irmãos, e chorava porque não me deixavam entrar, então meus pais me deixaram aprender assim que eu tivesse idade suficiente, para que eu ficasse feliz.

Você pode nos falar sobre sua formação?

R: Comecei a aprender violino na minha cidade natal, Cork, na Irlanda, ao mesmo tempo que comecei a ir à escola, e, mais tarde, também aprendi a tocar piano e viola. Ganhei uma bolsa de estudos na Royal Academy of Music, em Londres, então me mudei para lá, onde estudei por 4 anos.

Sou violinista também, e fiquei impressionado com aquele violino com som de trombeta que você tem no palco! O que é aquilo? Você o toca como um violino comum?

R: Ele se chama Strohviol ou Hornviolin (“violino de chifre”). Eu o comprei há 10 anos, em uma rua perdida em Burma (Mianmar). Sem saber o que era, e descobri, mais tarde, que eles foram feitos com o intuito de ampliar o som do violino em gravações fonográficas, na virada do século 20. Toco como um violino comum, mas o “chifre” dele, o deixa mais difícil de segurar, já que um lado fica mais pesado que o outro. Tom Waits usa ele em algumas de suas músicas, e eu adorei que Shakira quisesse que eu o tocasse no show.

Qual seu instrumento musical favorito?

R: Meu favorito sempre foi o violoncelo. Eu acho que ele é o instrumento mais incrivelmente expressivo. Também toco viola, e minha meta é sempre tentar fazer com que ela soe o mais próximo possível de um violoncelo. Recentemente ouvi alguns instrumentistas de acordeão fantásticos, e me apaixonei por ele também.

E qual o seu país favorito, que você tenha visitado pela primeira vez nessa turnê?

R: São tantos! Eu nunca tinha estado antes na América do Sul, então foi uma experiência fantástica, principalmente, por ter tocado na terra natal de Shakira, Colômbia.  Beirute também foi bem especial – o público de lá foi incrível!

O que você sente quando toca violino?

R: Sinto algo diferente toda vez, depende da música, do ambiente, do meu humor, do público. Se eu tivesse as palavras exatas pra descrever o que sinto, eu provavelmente não estaria tão orientada em expressar qualquer coisa tocando. Sempre sinto alguma coisa, talvez isso signifique que eu me sinta viva, se isso não for algo muito bobo de se dizer…

Como você encontrou Shakira? Como você começou a trabalhar com Shakira?

R: Shakira estava trabalhando com o arranjador musical / diretor Magnus Fiennes, do Reino Unido e uma companhia de teatro chamada Punch Drunk. Shakira Eles queriam encontrar alguém para essa turnê, que tocasse diferentes tipos de música e instrumentos, talvez o violino, instrumentos incomuns e que fizesse backing vocals. Eu havia tocado e excursionado com alguns artistas antes (Moby, The Killers, Gnarls Barkley, Take That), então eles procuraram, chegaram ao meu nome, e me pediram para enviar alguns vídeos e gravações. Depois disso, fiz outra audição em vídeo, tocando Ojos Así, e finalmente fui convidada pra tocar na turnê.

Que cidade até agora na turnê foi sua favorita de se apresentar? E por quê? Dublin, Colômbia, Brasil, Itália.

R: Tenho de dizer que foi Dublin, estar em minha terra natal foi ótimo, e eu fiquei muito feliz que minha família pode vir ao show também. Públicos irlandeses são especiais em qualquer caso – Shakira teve uma recepção fantástica por lá. Colômbia também foi demais, foi realmente especial ver a resposta do público para com ela lá.

Como sua hereditariedade influenciou na sua formação musical e em sua paixão criativa?

R: Quando eu estava crescendo, meu pai tocava muita música irlandesa na gaita e nos apitos, além de ouvir fitas cassetes de artistas irlandeses. Eu estava muito impregnada no mundo da musica clássica, e não gostava muito de músicas tradicionais / folk, achava chato. No entanto, quando me mudei para Londres, e comecei a excursionar, me senti envergonhada de não ser influenciada pelo estilo musical do meu próprio país, especialmente quando pessoas de outros lugares conheciam as melodias irlandesas. Então comecei a aprender e me lembrar das canções e melodias irlandesas, e descobri que minha voz fica melhor cantando esse estilo, que é o mais natural e menos trabalhoso para eu cantar – deve ter sido parte de mim todo o tempo, por ter convivido com isso desde criança. Agora toco muitas músicas tradicionais, e canto em irlandês (gaélico) – uma de minhas músicas, ‘Mo Ghile Mear’, foi usada em um comercial da Specsaver, que está sendo televisionado nesse momento no Reino Unido, na Irlanda e na Espanha (aquele com o pastor inglês). Tenho minha própria banda chamada ‘Una and the Balkan Bears’, que mistura música irlandesa, clássica e do leste europeu.

Pra você, qual é a melhor instrumento musical na turnê? Qual sua canção favorita de se tocar, na The Sun Comes Out Tour?

R: Gosto muito de tocar Ojos Así, pois nela toco muito violino (que é o meu instrumento favorito, dos que toco na turnê) e onde tenho um momento solo, mas Ciega é a mais divertida. Sempre sinto, tanto a banda quanto o público, realmente vivos nessa canção.

Qual sua música favorita da Shakira?

R: No momento minha favorita é ‘Rabiosa’, o atual single do álbum Sale El Sol.

Quantos instrumentos no total você toca nessa turnê?

R: Toco violino acústico, violino eletrônico, strohviol (violino de chifre), acordeão, apitos, maracas, chocalhos e faço backin vocals.

Quantos instrumentos você toca, além do violino?

R: Além dos instrumentos da turnê, eu também toco viola, piano, ukulele, e estou aprendendo o serrote musical.

Qual foi a coisa mais engraçada que aconteceu com você, ou com algum dos outros integrantes da banda, durante algum show nessa turnê?

R:  No nosso último ensaio, em Toronto,  nós estávamos todos preparados para começar o show, e quando a Shakira chegou, pela área do público com seu figurino e xale rosas, para cantar Pienso em Ti, ela estava um pouco estranha. Apenas quando ela estava quase no palco, foi que percebemos que, na verdade, se tratava do nosso empresário Marty vestindo as roupas dela. Se você o conhece, isso se torna realmente engraçado…

Como é sua experiência de trabalhar com Shakira? Você gosta de trabalhar com ela?

R: É muito bom trabalhar com Shakira, conheci muitos lugares novos nessa turnê e toquei para públicos enormes. Ela tem conseguido manter sua carreira no topo por tantos anos, e é interessante ver como ela alcançou isso. Shakira possui padrões elevados e se interessa por cada detalhe que acontece em seu show, dos vídeos a iluminação, e possui ouvidos astutos – nunca perde algum erro, e isso faz com que todo mundo dê o seu melhor toda noite.

Você sente que cresceu musicalmente, trabalhando com Shakira?

R: Sinto que em cada turnê que faço, cresço musicalmente de alguma forma. A música de Shakira abrange alguns estilos diferentes – em ‘Gypsy’, eu improviso minha parte, e tenho que tocar uma mistura de música irlandesa e jazz estilo cigano. ‘Nothing Else Matters’ é mais como um violino acústico clássico para mim, e eu tenho que encontrar um som mais ao estilo oriente médio para ‘Ojos Así’. Eu tenho um solo improvisado de 4 minutos em sua introdução, que definitivamente me pressionou um pouco – eu geralmente não tenho muito espaço para improvisos em turnês pop, e este solo não possui uma duração definida, depende de quanto tempo Shakira precisa para trocar de figurino, então tenho que estar preparada para fazê-lo soar como se tivesse chegado ao fim a qualquer momento. Eu praticamente tive que aprender a tocar acordeão para essa turnê (‘La Tortura’) também, e isso foi algo novo.

Foi difícil pra você aprender os refrões em espanhol para as músicas de Shakira nessa língua?

R: Eu estava um pouco nervosa com isso, já que algumas partes do show são completamente em espanhol, e eu não sabia nenhuma palavra, mas tinha que cantar em todas as canções. A outra backing vocal, Olgui, me ensinou todas as partes em espanhol – ela foi fantástica e fez com que fosse muito fácil de lembrar. Aprendi tudo foneticamente, mas desde então tenho tentado aprender os significados também, para melhorar meu espanhol.

Você consegue tocar alguma das composições de Niccolò Paganini?

R: Na verdade, nesse momento meu violino se encontra em minha cama no hotel, com algumas partituras para seus Caprices próximas a ele – tenho tentado aprender muitas músicas novas no tempo livre que tenho durante a turnê. Também estou aprendendo a Symphonie Espagnole, de Lalo – sinto que é apropriado aprende-la em uma turnê com tanta influência espanhola.

Qual é o seu hobby?

R: Nesta semana é dormir! Temos viajado logo após os shows, todas as noites, então estamos completamente exaustos. Também gosto de brincar de bambolê.

Quais as coisas que você gosta da América latina?

R: A melhor parte de estar na América latina foram as pessoas – foram tão receptivas, amigáveis e prestativas em todos os lugares que fomos. Também fiquei viciada nas batatas fritas – não sou fã, mas tinha alguma coisa em como elas eram preparadas.

Seu companheiro de quarto é húngaro. O que você acha da Hungria?

R: Budapeste foi realmente lindo, passamos dias ótimos por lá – eu acho que tem um vídeo nosso ‘por trás das câmeras’ no site da Shakira, passeando pela cidade.

Você é tão jovem, talentosa e já conquistou tanto. Qual o seu maior sonho agora?

R: Meu sonho é continuar trabalhando, ganhando a vida, de preferência tocando uma grande variedade de músicas com grandes músicos. E ser feliz e saudável!

Tradução: bruno camargo para o Shakira Brasil