Confira Em Português a Entrevista Que Shakira Deu Ao Programa “Aquí y Ahora”

O Shakira Brasil traz para você a íntegra da entrevista de Shakira ao programa “Aquí y Ahora”. Na conversa, de pouco mais de meia hora, Shakira fala sobre seu processo de composição, sua relação com Antônio e Piqué e muito mais. Não deixe de conferir:

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Na entrevista, Shakira falou sobre como foi sair em turnê com o espetáculo Sale El Sol: “Este foi um ano de mudanças, novas experiências, novos vínculos e também uma turnê que me deixou com excelente gostinho na boca, na qual pude visitar países nos quais nunca havia estado.”

Ela também contou sobre como foi receber uma estrela na calçada da fama e o que isso representou para ela: “Sinto um orgulho muito grande, sobretudo de ser latina, colombiana, claro. Acho que de alguma maneira esta estrela prova que é possível alcançar um sonho, que não é abusar sonhar muito alto porque na realidade, com muita determinação e com muito trabalho, se pode conseguir.”

Como sempre, Shakira aproveitou a oportunidade para falar sobre seu trabalho voluntário: “O que tento dizer aos pais que conheço, os pais das crianças com as quais trabalhamos em nossas escolas, é que podem sonhar tão alto quanto quiserem e que permitam que seus filhos sonhem também, porque acredito que o céu é o limite quando uma pessoa recebe as oportunidades que merece, que todos os seres humanos merecem.  Podemos realizá-las, torná-las real.”

Outro assunto da entrevista foi a homenagem do Grammy latino e a emoção de ver seu pai cantando uma música especialmente para ela: “Só de vê-lo ali, de pé, com o microfone e acumulando valentia para cantar ali, diante de sei lá quantas pessoas tinham ali, pensei que era uma espécie de sacrifício de amor, porque cantar diante do público não é uma coisa fácil. E no alto de seus oitenta anos, ele vestiu seu melhor terno, cantou com sua melhor voz e me fez chorar até que não tivesse mais lágrimas”. Ela ainda explicou o porquê do choro: “Esta canção significa muito por que acredito que qualquer mulher possa se identificar com sua letra se seu pai a cantar. Todas nós  nos sentimos as meninas bonitas do papai e sempre haverá uma parte de mim que não vai crescer, que se manterá intacta”

O pai de Shakira também falou sobre a escolha da música: “A letra é interessantíssima e caía perfeitamente para mim e Shakira, porque eu esperava um filho. Sou um pouco machista, neste sentido, porque meu pai tinha um interesse muito grande em que se perpetuasse seu sobrenome, e recebi este legado, esta missão. Então me dediquei a ter  filhos homens. Também tive três meninas, a última delas era Shakira, mas esperava um filho homem” .

Ele aproveitou a oportunidade para esclarecer que os filhos de seus dois casamentos (Shakira é filha única do segundo casamento de seu pai) se dão muito bem: “É só uma família. Minha filha e meus outros filhos formam um bloco só. “

Porém, segundo Shakira, não foi só a homenagem de seu pai que a emocionou: “Me emocionou até as lágrimas, ao final do dia, saber que a música é o que conta. Nós artistas nos submetemos a tantos processos… roupa, figurino,  vídeos,  maquiagem… tantas coisas que sobram no final. O importante são as músicas.  Escutá-las em uma voz masculina me colocou em outra perspectiva completamente diferente e me fez valorizar minhas músicas de outra forma, escutar a mim mesma e compreender um pouco toda a  minha carreira, as etapas pelas quais passei… Me fez reviver muitas coisas… Foi nostálgico, mas bonito, porque o nostálgico pode ser perigoso” .

Outro assunto na conversa foi o talento precoce de Shakira e como seus pais o descobriram: “Começamos a descobrir o talento de Shakira desde muito nova. Ela tinha um ano e cinco meses quando descobrimos que ela já sabia as letras do alfabeto. Esta foi a primeira mostra de talento que vimos. E quando ela orava, orava cantando, mas ela mudava as orações completamente e as cantava conforme sua inspiração.”, disse o pai dela.

Shakira conta que seus pai sempre a apoiaram: “Minha mãe me dizia ‘Não sei o que vai ser. Se vai ser presidente da república ou vai ser artista ou escritora’, porque sempre demonstrei uma grande afeição pelas letras desde menina. Aos sete ou oito anos pedi que meu pai me desse uma máquina de escrever e  comecei a escrever meus primeiros salmos, músicas, artigos,  e cartas, que enviava a Ronald Reagan, que acredito que nunca chegaram a ele. Sempre fui muito inquieta com as letras e ela pensava que seria uma escritora famosa. Aos oito anos comecei a fazer músicas e aí ela começou a se dar conta do que me chamava a atenção”

O pai confirma a história: “Antes dos sete anos descobri que ela tinha uma voz bonita. Ela gostava de cantar e sabia muitas músicas daquela época. Aos sete anos ela já cantava comigo. Íamos à praia e cantávamos juntos. E eu disse à mãe dela: Observe a voz dela, ela tem uma voz vibrante já tão pequena e isso quer dizer que terá uma voz muito boa. Aos quinze anos  ela participou de seu primeiro concurso e ganhou. Depois a convocaram para um segundo concurso e ganhou também”

Shakira tem sua própria versão para a mesma história: “Uma vez estávamos cantando no carro. Estávamos indo passear e meu pai disse ‘olha que voz que tem a menina. Que potência’. Foi a primeira vez na minha vida que escutei a palavra potência, fiquei pensando no que podia significar. Acredito que os pais tem que observar seus filhos e quanto mais cedo puderem descobrir o que chama realmente a atenção deles, do que gostam,melhor, porque a criança já começa a caminhar com um direção a  um destino desde cedo. Acho que isso é importante”.

Sobre acreditar que a filha chegaria a ser famosa, William diz “Pressentíamos. À medida que ela tinha a capacidade de vencer, seguimos atrás dela.” Ele também falou sobre o que sente quando vê a filha no palco: “Sentimos que é um momento de transição entre a menina, a filha que temos em casa. Há uma transição mental do que é para o que não é. Essa é sua realidade, a música, mas em casa também é outra realidade. A artista e a filha são duas pessoas não tão distintas quanto à essência, mas sim no que diz respeito a como ela se comporta com a autenticidade que é em casa. A mãe ainda briga com ela por coisas que acreditamos que necessitam brigar”

Porém, Shakira diz que o caminho não foi fácil e relembra um incidente com um professor: “O caminho ao sucesso está cheio de derrotas e temos que levantar e seguir a diante. Uma vez um político disse uma frase de que gosto muito. O importante não é não enfiar o pé na jaca, mas sim tirá-lo logo”. Sobre o professor, que comandava o coral da escola onde estudava, ela conta: “Ele não gostava de como eu cantava e não me deixou entrar no coral da escola” Ao ser perguntada sobre onde estaria se tivesse o ouvido, Shakira responde, bem humorada: “Só Deus sabe, porque ele se chamava Jesus”.

Shakira também tratou de temas mais ligados ao seu ao lado artístico de sua carreira, como a s composição, acusações de plágio e o desafio d e cantar em outras línguas. O primeiro desses assuntos foi o incidente que deu nome a seu segundo disco de sucesso:  “Donde Están Los Ladrones’ surgiu a partir do momento em que roubam no aeroporto uma maleta contendo todas as músicas que havia escrito ao longo de um ano. Foi trágico, claro, porque era todo o meu material criativo e perdê-lo foi difícil, mas daí nasceu esta canção e também o título deste disco, que é um dos meus preferidos até hoje”.

O desafio de gravar em inglês também foi assunto:  “A idéia do fracasso sempre está presente como uma sombra que segue seus atos, mas também que te faz se esforçar a ser cada vez melhor. Com o crossover, naquele momento o difícil era enfrentar um mundo completamente desconhecido em um idioma que eu não falava. Quando comecei a escrever minhas primeiras músicas em inglês, tinha que fazer com a ajuda de um dicionário. E este foi um álbum que ironicamente vendeu 13 milhões de cópias em um idioma completamente novo para mim, escrevendo e utilizando recursos literários e de composição nunca antes usados.”

Sobre cantar em francês: “Cantei ‘Je L’aime A Mourir’, uma canção que conhecemos em espanhol mas que é originalmente em francês, de um autor que se chama Francis Cabrel. Agora falo  um pouco [de francês] porque durante a turnê comecei a estudar. Quando terminava de cantar em um show, chegava ao hotel à uma da manhã estudava por uma, duas horas por dia e por isso já me defendo um pouco em francês, mas agora estou retomando as aulas”

Ao ser perguntada sobre o momento em que seu conta de que era uma estrela, Shakira titubeou:

Hmm.. Ainda não me dei (risos). Sei que as coisas foram muito bem e sei que alcancei muitas das minhas metas e muitos dos meus sonhos, mas sempre há um pouco a sensação de viver à beira do abismo e que ainda não é bom o suficiente, de que é preciso continuar fazendo as coisas melhor. Sempre está o medo de não conseguir escrever canções tão boas como as que fiz no passado. Acho que é um medo que vive dentro da alma do compositor e do criador e também é um pouco do que nos dá a adrenalina para seguir aqui, sabe? No momento em que você acredita que pode fazer tudo de olhos fechados, perde o interesse, eu acho.”

Ela também comentou as acusações de plágio de  ‘Loca’  e ‘Waka Waka’: “Não há plágio de maneira alguma por que ‘Loca’ é uma canção que originalmente foi criada por El Cata, um artista dominicano espetacular. Eu contatei El Cata e falei “Cata, quero gravar sua música, quero fazer um arranjo novo, quero transformá-la, fazer uma letra diferente, em inglês’. Tudo com a permissão, autorização dele. Não houve plágio”.

“’Waka Waka’, a canção, é completamente nova. Todos os versos, toda a parte da ponte, o arranjo e etc. O refrão em língua africana foi o que pegamos. Eu tinha esta idéia há muito tempo, desde que era criança, porque esta música fez muito sucesso na Colômbia e sempre tive vontade de fazer algo com este refrão, então aproveitei o mundial e pensei que este era o momento adequado, ainda mais porque ‘waka waka’ significa “brilhe”, então tudo coincidiu para que fosse desta forma. O Golden Sounds recebe seu crédito e tudo o que se estipula em um convênio deste tipo, de forma que tudo foi feito de forma legal como em toda a minha vida. Não plagio ninguém. Não tenho necessidade, porque afinal de contas, tenho sido compositora toda a minha vida,  me dedico a fazer músicas e entendo e respeito a importância de um artista, um criador, o domínio de seu material intelectual.”

Ao ser perguntada se a fama é difícil, ela disse: “Sim, como tudo, tem suas coisas boas e suas coisas ruins. O mais difícil de ser famosa é que às vezes, as pessoas te lembram disso o tempo todo. Há momentos em quer você deseja ser você mesma e saber que não vão te fotografar desprevenida, quando está comendo com a boca torta, coisas assim. Acho que se há algo ruim, é isso, mas não sei. Faz tanto tempo que comecei a fazer este caminho que já não me lembro como era a minha vida antes disso. Claro que me lembro da minha vida, mas não lembro ‘antes de ser famosa era assim agora é assim’, de quando esta linha divisória na minha vida foi traçada e de que forma me afetou… Acredito que tudo tenha ocorrido de uma forma muito gradual, o que facilita que o processo seja mais saudável. Acredito que seja difícil se transformar em uma pessoa famosa de um dia para o outro”

Shakira falou sobre a dificuldade de manter seus relacionamentos com a vida que leva: “Com Antônio neste sentido era  fácil porque trabalhávamos juntos. Faz quase um ano que não trabalhamos juntos, somos bons amigos. O difícil da fama é conciliar com sua vida pessoal à parte e ela pertence a todos, é domínio público.. É preciso aprender a conviver com isso também… é assim”.

 Ao ser perguntada sobre porque terminou com Antônio, Shakira se esquivou: “Ah, este assunto é pessoal…”, e fez o mesmo ao ser perguntada sobre como conheceu Gerard Piqué: “Também não vou te contar isso (risos). Decidi tentar preservar um pouco de minha intimidade… se conto todos os detalhes….”, Mas ela negou qualquer possível crise em sua relação e disse “Estou muito bem com Gerard, estamos muito felizes. Ele é um homem que me faz muito feliz e estou feliz de tê-lo encontrado… repeti a palavra ‘feliz’ umas quatro vezes…”(risos)

Mas Shakira garante que ter a vida revirada pela imprensa não a incomoda: “Não me aborrece porque é a natureza das coisas. Sou uma pessoa pública e isso faz parte do mundo do entretenimento. As pessoas querem saber como se veste, se penteia.. . Estes são os ossos do ofício ao qual me dedico. Os paparazzi sim me aborrecem… deveria haver algum tipo de polícia do paparazzi que os controle um pouco (risos), mas além disso, é muito perigoso também, porque as pessoas fogem deles, tentam ir a um restaurante tranqüilo e que não saibam de seu paradeiro a todo momento”.

Ela até ironizou os rumores de que teria terminado sua relação com Piqué: “Se não foram vistos juntos por um tempo então já terminaram… Claro, porque estávamos tranqüilos e os paparazzi logicamente se afastaram, deviam estar em Ibiza, nas férias dos paparazzi (risos). Nós dissemos ‘onde estão os paparazzi? Onde foram? Não somos mais importantes? Mas claro, como não têm nenhuma fotos nossa, então começam a criar rumores, mas estamos muito felizes juntos”

Sobre a maior mentira que inventaram sobre ela, disse: “Tantas.. que estou grávida, que não estou, que fiz… tantas coisas… Não me recordo muito agora. Acho que bloqueio essas informações, deve ser algum mecanismo de defesa… Não dou muita importância ao que se diz, às vezes rio, levo com bom humor, não dou muita importância ao assunto”

Em outro momento da entrevista, Shakira falou sobre o que a levou a criar sua fundação e a seu ativismo com relação à educação infantil: “Bom, tendo nascido e crescido em um país como o meu e vendo tantas injustiças sociais, tanta desigualdade, me dei conta de que muitos tinham pouco e que poucos tinham muito. Via uma grande brecha entre ricos e pobre e toda aquela situação parecia impossível de resolver, mas sempre, como a pessoa otimista que sou, quis ver a saída da situação”. Ela também contou sobre a falência de seu pai e da famosa ida à praça onde viu crianças cheirando cola: “Entendi que havia gente que vivia em situações piores que as minhas e que não contavam com seus direitos mais básicos, como a educação, por exemplo. Direitos que o estado deveria garantir. Nos países latinos acreditamos que a educação seja talvez um luxo ou algo a que só têm acesso uns poucos, mas não, é uma obrigação do estado se assegurar que nossas crianças podem ir à escola, que devem ir à escola, que não devem estar nas ruas, trabalhando, então decidi começar uma fundação e me concentrar na educação, porque comecei a estudar sobre o assunto e me dei conta de que a educação é a ferramenta com a qual contamos no mundo em desenvolvimento para transformar a realidade de muitos, para liberar da pobreza tantos que vivem presos à ela”.

Todo os cidadãos do mundo têm um dever inegável que é participar das decisões que definem o destino de nossas nações. E esta é a definição de política se formos procurar no dicionário. Acho que todos nós devem ser políticos neste sentido da palavra, participar das decisões que determinam o futuro de nossos povos. Eu acho que não posso escapar desta responsabilidade quando tenho diante de mim câmeras todos os dias e tenho a oportunidade de falar destes assuntos e trazer o foco para eles, chamar a atenção de líderes mundiais. Tenho a oportunidade de falar com eles cara a cara, o que vou a dizer? ‘Oi, como está? Muito prazer, quer uma foto?’? Não! Tenho que aproveitar estes dez, vinte ou trinta minutos que tenho com uma pessoa que administra o poder para convencê-la de minha maneira demente e apaixonada de que a educação é onde se tem que investir. Que é nas crianças mais pequenas que se tem que investir, porque uma criança cresce rápido. Em menos de um abrir e fechar de olhos as crianças são adultos e estas crianças vão determinar onde estamos hoje e onde estaremos amanhã.”

Sua nomeação para um cago na Casa Branca também foi citada na entrevista: “Nós, hispanos, temos que nos ver a nós mesmos e nos darmos conta do que significamos para este país. Somos um braço forte, um braço que trabalha ativamente e que impulsiona a economia deste país. Muitos alunos latinos estão ficando para trás, não chegam à faculdade, abandonam a escola no ensino médio e isto é altamente preocupante, porque três de cada quatro crianças latinas são pobres, vivem abaixo da linha da pobreza e quase 22 % das escolas públicas nos Estados Unidos estão cheias de… crianças latinas. Parte do que faço agora na comissão para Obama é de alguma maneira contribuir para que as crianças latinas tenham as oportunidades que merecem e por isso esta comissão foi designada. Para suprir as necessidades dos latinos, das crianças e alunos latinos, e para que possam ter acesso a programas de qualidade, de forma que é nisso que estou focada hoje. Acredito que os latinos merecem o melhor”.

No fim, Shakira foi perguntada sobre o que espera para o futuro: “Gostaria de continuar fazendo músicas das quais goste, ter filhos, ser uma boa mãe e fazer coisas não só fora de casa, para os outros, mas dentro de casa também”

Tradução/transcrição: Josimar Rosa para Shakira Brasil