Confira a Entrevista de Shakira para a Revista Ocean Drive

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Se tornar um fenômeno pop mundial não aconteceu da noite para o dia para Shakira. Criada na cidade pobre de Barranquilha, Colômbia, ela escreveu sua primeira música aos oito anos de idade, lançou seu álbum de estreia aos treze e depois seguiu em frente com garras de ferro impulsionada pela consciência de que este era seu chamado.

“Tive minhas dificuldades no começo, e não foi até meu terceiro disco que comecei a sentir o gosto do sucesso.”,, diz Shakira, a musicista com mais curtidas no Facebook (algo em torno de 89.8 milhões). “Eu sempre soube que isso era o que eu deveria fazer. E quando você sabe disso, simplesmente não aceita não como resposta”.

Uns 60 milhões de álbuns vendidos depois, este furacão pop bilíngue de 37 anos lançou seu décimo álbum de estúdio, chamado simplesmente “Shakira” em março, ao mesmo tempo em que era um dos destaques do painel de quatro membros de juízes/mentores do The Voice. Ela e seu companheiro, a estrela internacional de futebol Gerard Piqué, ainda deram as boas vindas ao seu primeiro filho, Milan, em janeiro do ano passado e isso, segundo ela, mudou tudo.

OCEAN DRIVE: Onde você está hoje? Como são seus dias?
SHAKIRA: Estou em casa, em Barcelona, vestindo uma camiseta confortável e calças de malhar. Quando estou em casa em dias de folga, sempre começo meu dia com Milan, brincando do lado de fora, e aproveitando o tempo juntos. Então tomo café da manhã tarde, tomo minhas vitaminas e me preparo para o dia enquanto ele tira uma soneca.

Você também tem uma casa em Miami.
Quando estou em Miami, passo muito tempo com minha família – meus pais e outros membros da família que vivem lá – assim como alguns amigos próximas da infância. Eu tendo a ficar bem quieta, embora adore ir para a água, seja no jet ski ou num barco, sempre que possível.

Esta é nossa edição das Mulheres Influentes. O que significa ser poderosa hoje em dia? E como você usar sua estatura para conseguir que as coisas sejam feita?
O poder é uma faca de dois gumes. Pode ser uma ferramenta muito útil mas pode ser algo que te consome – aquela eterna busca por mais poder. Para mim, ser poderosa significa estar no controle de si mesma acima de tudo e saber como usar sua força para conquistar as coisas que são importantes para você. No meu caso, isso muitas vezes acaba significando iniciativas filantrópicas. Tenho duas fundações que trabalham em função de alcançar acesso universal a educação de qualidade para crianças: Pies Descalzos e ALAS. Cresci em um país de terceiro mundo em que era impossível crescer sem tomar conhecimento da desigualdade e pobreza ao meu redor. Não era muito uma questão de caridade da minha cabeça, mas sim de dever cívico. Vejo o poder mais como o meio para um fim específico do que com um fim em si mesmo, um modo de usar a voz que me foi oferecida pelo meu sucesso profissional para dar voz a outras pessoas que normalmente não teriam uma – crianças nas áreas mais pobres da América latina que ficariam facilmente presas no ciclo da pobreza sem fatores externos as ajudando. É importante se lembrar que o poder é tão fácil de se perder quanto se é difícil de ganhar, então é preciso ser magnânimo com ele onde podemos.

Homens e mulheres exibem ou incorporam o poder de formas diferentes?
Sem sombra de dúvidas. O poder é algo que só entrou na consciência feminina há relativamente pouco tempo na história, e acho que ainda estamos tentando entender como melhor utilizá-lo. Para os homens, é algo que sempre fez parte da psique. Tendo dito isso, acho que cobrimos um longo caminho em tão pouco tempo.

Quem veste as calças na sua casa?
Na minha casa, diria que o equilíbrio do poder é bastante igual. Relacionamentos precisam ter um equilíbrio se forem funcionar a longo prazo.

Seu relacionamento tem sido foco de muita publicidade ultimamente, particularmente depois que você disse que seu companheiro não gosta que você faça vídeos como rapazes bonitos.
Isso é engraçado. Quando fiz esse comentário, foi na verdade de um modo muito descontraído e humorado. Fiquei surpresa ao ver que tinha sido levado tão a sério pela imprensa. Gerard não me diz o que fazer, nós discutimos tudo como um casal, assim como imagino que a maioria dos casais faz. Temos uma linda relação de confiança mútua.

Como foi trabalhar com Rihanna e filmar o vídeo super provocante de ‘Can’t remember To forget You’?
Foi muito divertido, honestamente. Tenho certeza que de fora parece que somos duas divas, mas quando nos encontramos, nos demos conta de que temos muito em comum – ambas somos garotas caribenhas de cidades pequenas que são muito pés no chão e simplesmente gostam de se divertir.

O que seu novo disco diz sobre onde você está na sua vida pessoal e profissional?
Desde meu último álbum, estou em um dos momentos mais felizes da minha vida. Definitivamente foi um momento de mudança, de renascimento, de auto descobrimento e, claro, me tornar mãe, que virou meu mundo de cabeça pra baixo da melhor maneira possível. Este álbum é a culminação de todas estas mudanças.

Você é um exemplo para milhões de fãs jovens. Como lida com essa responsabilidade?
Embora eu aprecie a ideia de ser um exemplo, acho que exemplos vêm em muitas formas, e aqueles que têm mais impacto são aqueles que temos ao nosso redor diariamente, como professores e irmãos mais velhos. De minha parte, meus pais sempre me cobraram padrões muito altos e fizeram um grande esforço para que eu não fosse corrompida pelo sucesso na juventude. Já é difícil o bastante para uma adolescente descobrir quem é, quem dirá com uma indústria inteira querendo te dizer que ser. Meus pais me ajudaram a manter os pés no chão e nunca comprometer as coisas que me fazem ser quem eu sou.

Que mulheres poderosas tiveram grande impacto na sua carreira?
Gloria Estefan foi um grande exemplo e mentora para mim quando estava fazendo meu primeiro disco em inglês. Ela foi uma desbravadora como artista bilíngue e me ajudou a ver que era possível e que tudo o que eu precisava era perseverança.

Qual tem sido o aspecto mais recompensador de ser mentora de outros aspirantes a cantores no the Voice?
Adoro sentir que estou realmente contribuindo para o crescimento daquela pessoa e a ajudando a encontrar seu próprio caminho e abraçar sua individualidade – gravadoras nem sempre dão importância o bastante a isso. Eu sei que se tivesse seguido o que outros artistas pop estavam fazendo em determinados momentos, não apenas as pessoas não se lembrariam do meu nome agora, mas também eu estaria traindo a mim mesma como artista.

Como foi se tornar country para o dueto com seu parceiro de The Voice Blake Shelton?
Aquele dueto é uma das minhas faixas favoritas no álbum. Foi um longo processo – eu a escrevi com pessoas de Nashville, originalmente, mas depois passei por oito versões antes de decidir que ela deveria permanecer como canção country e usei apenas músicos de Nashville nela. Fiquei nervosa quando a enviei para o Blake, mas ele adorou e eu fiquei muito contente!

Com que frequência você volta a Colômbia e o que suas raízes significam para você?
Eu volto lá algumas vezes por ano – não tão frequentemente quanto eu gostaria, com minha agenda, mas ainda continuo me identificando muito com a cultura. Tenho uma família grande com a qual sou muito próxima. Este ano, quando inaugurei minha escola, também tiramos o passaporte colombiano do Milan. Mesmo embora ele passe a maior parte de seu tempo na Europa, quero que ele se identifique e conheça parte de sua história e cultura porque ela é lindamente rica e colorida.

Você foi de super estrela a mega marca: cantora-mãe filantropa-enternainer- personalidade da TV. O que te motiva e como você encontra equilíbrio?
Minha motivação sempre veio de dentro. Mas surpreendentemente, desde que me tornei mãe, tenho sido capaz de encontrar mais equilíbrio. Todas as mães são multi tarefas, mas no passado, já me peguei trabalhando sem parar e às vezes sem saber como ou quando descansar. Me tornar mãe me forçou a desacelerar e reorganizar minha vida para encontrar um modo de conseguir me devotar a todas as coisas pelas quais sou apaixonada: música, filantropia e a maternidade.

De que outras formas ser mãe do Milan transformou você?
Tudo é diferente. Talvez a maior mudança é que eu penso mais no futuro, como o mundo será para ele quando crescer. Mas quando o assunto é viver, é só o presente. Finalmente sou capaz de apreciar todos aqueles momentos que no começo da minha carreira eu estava muito ocupada pensando em qual seria a próxima coisa para simplesmente parar, assimilar tudo e apreciar.

Tradução: Josimar Rosa para Shakira Brasil