Shakira concedeu uma nova entrevista à Associated Press (AP), uma das maiores agências de notícias do mundo, para falar sobre o momento que vive na carreira, sua atual fase artística e os grandes shows que tem realizado ao redor do planeta.
Durante a conversa, a cantora colombiana refletiu sobre sua trajetória de mais de três décadas na música, comentou o histórico show que reuniu mais de 400 mil pessoas no Zócalo, na Cidade do México, e falou sobre a expectativa para a apresentação gratuita em Copacabana, no Rio de Janeiro.

Shakira também abordou a indicação ao Rock & Roll Hall of Fame de 2026, que pode torná-la a primeira artista colombiana e a primeira latina nascida e criada na América Latina a entrar para o prestigiado hall da fama.
A seguir, confira a entrevista completa publicada pela Associated Press:
Shakira diz que sente como se estivesse apenas começando. Uma indicação ao Rock Hall sugere o contrário
Por Maria Sherman
NOVA YORK (AP) — Shakira estava a caminho de levar o filho para o treino de flag football. É uma experiência comum para uma mãe, mesmo para alguém que, num passado não tão distante, esteve no centro de algumas circunstâncias bastante extraordinárias.
A artista colombiana, conhecida por quebrar barreiras, passou o último ano em sua primeira turnê mundial desde 2018 — e fazendo história. Quase 20 anos depois de seu primeiro show no Zócalo, a principal praça da Cidade do México, Shakira voltou ao local no início deste mês e bateu o recorde de público da praça, com cerca de 400 mil fãs reunidos para vê-la.
É um feito impressionante para qualquer artista e certamente reforça sua reputação como a Rainha da Música Latina. Ao longo de mais de três décadas de carreira, Shakira estabeleceu recordes e atravessou diferentes gêneros musicais: desde 1991, quando assinou contrato com a Sony Music Colombia aos 13 anos e lançou seu álbum de estreia, Magia, passando por trabalhos marcantes como ¿Dónde Están los Ladrones? (1998) e Laundry Service (2001), até chegar ao mais recente, Las Mujeres Ya No Lloran, de 2024.
Mas este ano é diferente.
“Estou conseguindo realizar muitos dos meus sonhos como artista nesta turnê”, disse ela à Associated Press por telefone. “É tudo o que eu sempre sonhei.”
E não para por aí: em fevereiro foi anunciado que ela está entre os indicados de 2026 para entrar no Rock & Roll Hall of Fame, um reconhecimento lógico para uma artista conhecida por unir música latina, rock e pop.
Se for escolhida, ela passará a integrar um pequeno grupo de artistas latinos que já entraram no Hall da Fama. Também se tornaria a primeira artista da Colômbia e a primeira latina nascida e criada na América Latina a conquistar essa honra.
Em entrevista à AP, Shakira fala sobre seu show histórico na Cidade do México, a indicação ao Rock & Roll Hall of Fame, seu próximo grande objetivo e mais.
AP: Seu show no Zócalo foi gigantesco. O que passava pela sua cabeça?
SHAKIRA: Foi um momento muito único. Depois de fazer 13 shows em estádios na Cidade do México, eu nunca imaginei que tanta gente iria se reunir no Zócalo para assistir ao meu show mais uma vez. Foi absolutamente incrível. E uma daquelas experiências inesquecíveis, que eu gostaria que meus pais tivessem visto. Foi realmente mágico.
A história de amor e amizade que eu tenho com o México é algo muito especial. Nada se compara a isso, e o país me deu muito. Meus fãs mexicanos me deram muito amor e apoio desde o começo da minha carreira. Também foi incrível cantar “Dónde Estás Corazón”, que foi a primeira música minha a tocar na rádio mexicana, fora do meu país. Foi como fechar um ciclo.
AP: Você também vai voltar às Pirâmides de Gizé pela primeira vez em quase 20 anos.
SHAKIRA: Foi uma das apresentações mais inesquecíveis da minha vida, e eu queria muito que isso acontecesse novamente com essa turnê, que para mim é a turnê da minha vida. Na verdade, sinto como se estivesse apenas começando minha carreira. É uma sensação estranha, porque já se passaram 30 anos, mas sinto que estou na porta de um novo começo. Isso acontece porque meu público tem sido muito emotivo e extremamente fiel.
Tenho me divertido demais me apresentando em cada país, em cada cidade por onde passamos. E a próxima parada também será em Copacabana, no Rio de Janeiro.
Provavelmente teremos dois milhões de pessoas na praia, então tenho certeza de que isso vai ser algo bem louco.
AP: Quando pensamos no início da sua carreira, lembramos do seu lado rock. E este ano você foi indicada ao Rock & Roll Hall of Fame.
SHAKIRA: Eu me sinto muito honrada e animada ao mesmo tempo. É incrível ser indicada ao Rock & Roll Hall of Fame e também um pouco surreal. Experimentei vários gêneros ao longo da minha carreira, mas comecei como artista de rock e continuei fazendo rock.
No meu último álbum, Las Mujeres Ya No Lloran, há músicas de rock como “Tiempo Sin Verte” e “Cómo Dónde y Cuándo”. Em todos os meus álbuns há faixas de rock porque isso é parte da minha identidade artística. Tudo o que eu escuto é rock. Então ser indicada ao Rock Hall, sabendo que tantos ícones do rock que eu admiro e que me inspiraram estão lá, como os Rolling Stones, é um privilégio e um momento incrível na minha carreira.
Não sei o que está acontecendo, mas este ano parece que todos os meus desejos estão se realizando. Acho que essa indicação é uma daquelas coisas com as quais você sonha em algum momento da carreira, mas tenta não se apegar demais. Só de ser indicada já é algo enorme para mim e para meus fãs.
AP: O que isso significa para sua comunidade — para os latinos e para os colombianos?
SHAKIRA: Eu me sinto muito orgulhosa como latina. Penso: “Meu Deus, quantos latinos existem ali? Ou latinas? Ou pelo menos colombianos?” Talvez seja a primeira vez para uma mulher latina nascida e criada na América Latina, que ama o rock desde os 15 anos.
Eu escuto rock desde sempre e foi assim que comecei minha carreira. Então tudo isso é muito surreal. Mas também fico muito feliz pela minha comunidade. É bonito sentir que estou representando uma parte dela ali.
AP: Você disse que seus sonhos estão se realizando este ano. O que ainda falta na lista?
SHAKIRA: Eu não sei o que está acontecendo. Mas este ano todos aqueles sonhos que eu tinha lá atrás estão se tornando realidade. Então vou continuar sonhando. Sempre achei que seria incrível cantar na Torre Eiffel ou na Champs-Élysées, em Paris. Seria um show definitivo.
Mas não posso reclamar. Estar em Copacabana, nas Pirâmides do Egito e no Zócalo enche meu coração. Sinto que conquistei muito como artista neste ano, mas também estou cheia de energia. Amo fazer música e apresentar essas músicas. Isso trouxe muita alegria de volta à minha vida depois das dificuldades que enfrentei, como qualquer pessoa que passa por momentos difíceis.

