Shakira fala à Vogue sobre Copa do Mundo e revela que já pensou em se aposentar

Shakira voltou a falar sobre sua relação histórica com a Copa do Mundo em uma nova entrevista à Vogue. Na matéria, assinada por Nick Remsen e intitulada “Waka Talka: Shakira on World Cup Music, Ambition, and Her Famous Hair”, a cantora reflete sobre música, futebol, ambição, cabelo, ISIMA, turnê e a nova fase de sua carreira.

A entrevista também aborda “Dai Dai”, parceria com Burna Boy e música oficial da Copa do Mundo FIFA 2026, além da conexão recente de Shakira com Ed Sheeran, o impacto de seu show em Copacabana e até o período em que ela chegou a pensar em se afastar da música. Confira a tradução completa:

Waka Talka: Shakira fala sobre músicas de Copa do Mundo, ambição e seu famoso cabelo

Por Nick Remsen

Shakira está tão ligada ao futebol que atualmente circula pela internet um comentário sobre seu hat-trick de hits criados para grandes ocasiões: “Shakira é dona da Copa do Mundo como Mariah Carey é dona do Natal”.

Tudo começou em 2010, quando a superestrela colombiana lançou o absoluto chiclete “Waka Waka (This Time for Africa)”, que continua sendo a música mais ouvida da história do torneio. Em 2014, ela gravou “La La La”, quando a competição foi realizada no Brasil, e, na semana passada, lançou “Dai Dai” com o cantor e compositor nigeriano Burna Boy. Em antecipação ao torneio deste ano, que começa em 11 de junho e acontece nos Estados Unidos, Canadá e México, a Vogue conversou com a cantora.

Shakira e Burna Boy durante ensaio fotográfico para a capa do single de “Dai Dai”.

“Se eu sei de uma coisa, é isto: música e futebol movem multidões”, disse a cantora, compositora, empresária e atriz durante uma rara entrevista. “Cada um desperta paixão nas pessoas. A paixão é o ponto em comum.”

Estávamos sentados no banco de trás de um SUV prateado e elegante, atravessando Miami Beach, conduzidos pelo segurança dela. Tínhamos acabado de sair de um evento de sua marca de cuidados capilares, ISIMA. Shakira usava um minivestido laranja da Mugler com óculos shield combinando. Perguntei se sua abordagem para a missão da Copa do Mundo era diferente de seus outros esforços sonoros: como a pressão de criar faixas capazes de grudar na cabeça de bilhões de pessoas se diferenciava de seu trabalho habitual?

“Quando estou prestes a encarar essa tarefa de escrever uma música para a Copa do Mundo, eu entendo o que as pessoas realmente precisam para viver um momento ao máximo”, respondeu ela. “É um bom ritmo, uma boa batida, mas também uma mensagem poderosa.” Sua música “Dai Dai” concentra seu foco em resiliência e perseverança. Um trecho inclui a letra: “Onde há vontade, há um caminho. Você é dona desse fogo. Ninguém pode tirá-lo de você.”

Para a música, Shakira “ligou para Ed Sheeran e perguntou se ele queria escrevê-la comigo”, conta ela. “Ele disse que escrever algo para o mundo seria seu sonho.” Sheeran tem crédito como coautor da canção. “Trabalhamos muito bem juntos; nos entendemos. Eu queria que a música fosse uma fusão de diferentes elementos. Queria trazer sabores de afrobeat, do Caribe, guitarras… A cereja do bolo foi Burna Boy. Eu simplesmente amo a voz dele.”

No momento da nossa conversa, o videoclipe de “Dai Dai” estava no ar havia quatro dias. Eu disse a Shakira que ele já acumulava 35 milhões de visualizações naquele ponto, e agora já está em 95 milhões. “Ah, já?”, disse ela baixinho, quase de forma enigmática, com um breve sorriso. Depois, em tom tranquilo, acrescentou: “Essa é uma boa notícia.”

Shakira durante ensaio fotográfico para a capa do single de “Dai Dai”.

A fama de Shakira pôde ser vista em escala gigantesca em maio, no Rio de Janeiro, onde ela se apresentou na série anual de shows Todo Mundo no Rio, gratuita para o público e conhecida por atrair milhões de pessoas. A multidão em Copacabana foi estimada em dois milhões de pessoas.

O alcance de Shakira também tem sido visto na “Las Mujeres Ya No Lloran World Tour”, que terá uma extensão norte-americana neste verão, com várias datas adicionadas de Los Angeles a Nova York, além de uma residência de 11 noites entre setembro e outubro em Madri, onde suas apresentações acontecerão em uma estrutura construída especialmente chamada Shakira Stadium. “Las Mujeres Ya No Lloran” é a turnê de maior arrecadação da história para uma artista latina e a quinta maior para uma artista feminina no geral. O show já acumulou quase 500 milhões de dólares em vendas, e esse total deve crescer nos próximos meses.

Mas ouvir Shakira falar sobre essa escala, dinheiro e impacto combina mais com as qualidades mencionadas anteriormente do que com aquilo que normalmente se associa a uma celebridade desse tamanho. Ela foi acessível e gentil sobre tudo isso, e transmitia uma tranquilidade que parecia genuína, apesar do trânsito intenso de Miami do lado de fora.

“Acho que, quando me apresento”, disse ela, “não faço isso diante de ‘um público’. Eu faço isso diante de… eu faço isso cercada pela minha família. Sinto que meus fãs, aqueles que se divertem na plateia, aqueles que escutam minha música há tanto tempo… sinto que eles realmente me entendem, e também conhecem meus defeitos. Eles não condenam minhas falhas. Existe uma sensação de conforto quando estou no palco, especialmente nesta turnê atual, porque sinto que não estou apenas exibindo meus talentos ou meu figurino. Estou simplesmente vivendo o momento com um grupo de pessoas que estiveram ao meu lado e com quem, de verdade, sinto que tenho uma forte amizade.”

Ela fez uma pausa por um momento.

“Eu me sinto acolhida, protegida e cercada. Não sinto, de forma alguma, que há juízes na plateia. É quase como uma comunhão, sabe? Quando passamos por um repertório de músicas que fizeram parte da vida das pessoas por tanto tempo, que foram trilha sonora para tantas delas, e para mim também, isso faz com que tenhamos algo em comum que é simplesmente inquebrável. E isso me faz sentir muito à vontade, feliz e celebrando o fato de que esta é a minha carreira agora mais do que nunca, sabe?”

Shakira durante ensaio fotográfico para a capa do single de “Dai Dai”.

Ela esperou mais um instante.

“Alguns anos atrás, eu estava pronta para simplesmente comprar uma fazenda, criar animais e me aposentar da música. Mas olho para trás e penso: ‘Que loucura é essa?’. Eu tinha e ainda tenho muito mais a dizer e a fazer. Às vezes, simplesmente não damos valor ao que fazemos, ou esquecemos quem somos.”

Àquela altura, estávamos nos aproximando da casa de Shakira, e já estava quase escuro. Mesmo assim, seu cabelo naturalmente ondulado ainda brilhava na meia-luz. Isso me lembrou que eu precisava perguntar sobre a ISIMA e, em especial, sobre um desembaraçante chamado “No Drama”, que ela havia apresentado no evento algumas horas antes.

“Criei a ISIMA porque, por muito tempo, eu mesma fui uma espécie de vítima capilar”, disse Shakira. “Meu cabelo está constantemente sob o estresse de, você pode imaginar, secadores, modeladores, babyliss, chapinhas e muito mais. Já fui morena, loira; já tive cabelo vermelho, rosa, de tudo. Meu cabelo realmente sofreu muito! Então eu queria criar produtos que não apenas me ajudassem a finalizá-lo, mas que, ao mesmo tempo, o reparassem, e acho que isso é muito inovador na ISIMA. Acho que é o melhor que existe. Ela repara o cabelo por dentro e também sela por fora.”

Ela diz que seus produtos favoritos da linha são o shampoo “Riquísima” e o condicionador “Suavísima”: “Porque eu os uso quando estou no banho, que é o meu único momento em que ninguém consegue entrar. Ninguém pode me ligar, nem filhos, nem empresário”, disse ela, rindo.

Era hora de ir. O segurança de Shakira me levaria de volta ao hotel. Eu queria fazer uma última pergunta: para alguém com tantas conquistas quanto ela, incluindo quatro prêmios Grammy, o que poderia vir a seguir?

Para começar, ela toparia uma participação ainda não confirmada, mas muito aguardada, em “Zootopia 3”. Shakira dublou a gazela Gazelle nas duas primeiras edições da franquia e fez músicas de sucesso para os dois filmes. Vale lembrar que seus filhos também fizeram participações vocais em “Zootopia 2”. Mas, até agora, a Disney “não me contou”, disse ela, rindo. “Espero que sim, mas, se não acontecer, foi uma jornada incrível.”

Mais alguma coisa?

“Uma coisa que ainda não fiz foi me apresentar em algum lugar icônico de Paris, como às margens do Sena ou na Torre Eiffel. Eu adoraria fazer isso”, disse ela. “Talvez um dia.”

Enquanto saía do carro, equilibrando-se em botas brancas de couro de salto alto, Shakira concluiu, antes de fechar a porta: “As pessoas se perguntam: ‘Onde está o botão de desligar dela?’. Eu ainda não encontrei.”

Com informações da Vogue.

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